top of page

Registro: Luana Veiga

A grande bola azul

Materiais: bacia azul, pacote de farinha de trigo, água

Lugar: Jardim da Casa Amarela, Departamento de Artes da UFPR

Programa performativo: Entregue a carta para cada pessoa que estiver participando. Na bacia azul, despeje a farinha de trigo e aos poucos derrame a água. Amasse essa mistura até ficar no ponto “pão”.

Texto da carta: 

“Não se sabe o dia, provavelmente novembro de 2003.

Existem fotografias daquele dia.

Crianças corriam pelo quintal com uma grande bola azul. Em outro momento, brincavam com um grande pote cheio de uma mistura de farinha e água, que se transformava em pão, bolos, carrinhos e até mesmo personagens.

Isso é o que me vem à cabeça, quando penso em afeto. Todos os dias tenho pensado demais nisso.

Essas lembranças têm me ajudado quando fico angustiada ao ler sobre o que estamos vivendo. Eu também sei que não sou a única que tem estado assim. Por isso, compartilho com você a minha lembrança mais preciosa.

SP/CWB

G. Pazin”

(Clique na foto para visualizar mais imagens)

Relato:

Após realizar uma ação que “me deixou sem chão”, senti a necessidade de fazer algo que também trouxesse sentimentos bons e, ao mesmo, tempo construir uma conexão com aquelas que também dividiam essas aulas de sexta-feira, das 9h30 às 12h00. A ideia inicial para por aquilo em prática foram veio das lembranças de infância que estavam ocorrendo com frequência. Por terem se repetido tantas vezes, pensei em compartilhar essas lembranças de infância com elas. Eu precisava contar essa história. O modo de partilha que encontrei veio por meio de uma carta da qual fiz várias cópias à mão.

Iniciei a ação pedindo para que todas as participantes se sentassem em um círculo, na grama, em frente a Casa Amarela, no campus do Deartes. Em seguida, entreguei uma cópia da carta para cada pessoa presente. Abri o pacote de farinha de trigo e despejei na bacia azul. Fui colocando água até que a massa não estivesse mais grudenta. Entreguei um pedaço da massa para cada pessoa. Começamos a sovar a massa sob um silêncio que pareceu se estender por muito tempo. Tomei coragem e expliquei a elas o porquê da carta. A minha intenção ao trazer essa lembrança foi a de criar uma conexão com todas ali presentes. As conversas giraram em torno do sentido de pertença e de relações de intimidade. Esse trabalho aludiu aos objetos relacionais da artista Lygia Clark. Ao final da ação todas as participantes relataram que sentiram conforto ao executá-la.

bottom of page