Sem título (Travesseiros)
Materiais: 8 Travesseiros e 6 quilos de pregos
Roupa: pijama branco
Local e data: 19 de outubro de 2019 na Praça 29 de março
Duração: aproximadamente 3 horas
Programa performativo: Organize os travesseiros no chão. Coloque os pregos no chão. Insira os pregos em toda a extensão do primeiro travesseiro e em seguida o coloque ao canto. Faça o mesmo com todos os outros. Ao final, os empilhe.
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Registros: Claudia Lara, Roberto Valem, Divini

Registro: Claudia Lara
vídeo da ação realizada no dia 19 de outubro de 2019, no período da manhã, na Praça 29 de Março, Curitiba, PR
Relato:
Esta ação tem uma ligação direta com o trabalho “eu vou romper as minhas amarras”. Depois de muito tempo tendo dificuldades para dormir, comecei a refletir sobre a representação da imagem do travesseiro, algo que remete diretamente ao sono, descanso e conforto, mas, em contraponto, o que surge é a insônia, a exaustão e o peso - o peso dos pensamentos. Os pregos são objetos que chamaram a minha atenção, desde que montei o trabalho “não conte nada para ninguém”. Eles prendem, machucam, unem peças, são brutos. Alguns são fáceis de retirar; outros, não. A junção dos dois elementos altera seus significados individuais.
O intuito de juntar esses dois elementos foi o de causar um desconforto ao observador. Ao longo da ação, pude perceber que o fato de me delongar na ação, trouxe várias pensamentos e sensações, visto que, no início, eu estava com o corpo bem descansado e, por isso, estava sendo bem fácil colocar os pregos nos travesseiros. No entanto, mais para o final, as minhas mãos já estavam bem doloridas e machucadas e foi muito difícil conseguir colocar tantos pregos. Eu também perdi a noção do tempo, enquanto fazia a ação. Antes de começar a ação, estava achando que iria demorar, no máximo, uma hora, mas acabei realizando o trabalho por quase 3 horas. Quando eu me levantei para empilhar os travesseiros, meu corpo estava todo dolorido, não aguentava mais ficar em pé, tanto que, depois que encerrei a execução, tive que me sentar de volta para descansar.
Em vários momentos, achei que o cansaço iria tomar conta de mim e que, por isso, poderia parar a ação no meio. Mas consegui completar todos os travesseiros. No final da ação, fiquei pensando muito sobre como deixar os travesseiros no espaço e se eu deveria manter eles alinhados quando terminasse. Porém, quando terminei de colocar os pregos, decidi empilhá-los para que formassem um bloco único e pesado.
Após a ação, somente uma pessoa veio falar comigo sobre as questões que foram provocadas pelo trabalho ao seu pensamento. Ela me disse: “(...) para mim, é um acordar para um momento que não se pode relaxar” (C. L). Enquanto eu estava desenvolvendo a ação, não associei o trabalho com essas revelações que ela me trouxe, até porque a ideia partiu depois de várias noites de insônia por questões pessoais. Achei bem interessante a leitura dela e me fez perceber que esse trabalho ainda pode desencadear muitas leituras diferentes da minha. Porém, atualmente não tenho tido muito retorno sobre ele.
Sobre o local, no dia da ação eu fiquei pensando que, talvez, não tivesse sido adequado, porque não me pareceu ter uma relação com o trabalho. Mas, depois de refletir muito e analisar os registros fotográficos, percebi que a fonte da praça pode levar à sensação de leveza, de paz e tranquilidade, análogas ou relacionadas à função dos travesseiros e, para o observador, isso poderia contrastar com o peso visual e simbólico dos pregos.
